Um gramado com um sistema de resfriamento inédito no mundo. Assim será o da
Arena Corinthians, palco de abertura da Copa de 2014, que começa a “nascer” na
terça-feira, com o início da escavação do terreno. O sistema, com água e ar
gelados, foi desenvolvido em função do tipo de grama escolhido para a arena: a
Ryegrass, comum em estádios da Europa.
A Ryegrass é uma grama de inverno.
Foi escolhida pelo Corinthians porque será essa a estação do ano no Brasil na
época da Copa – a Fifa recomenda o tipo Bermuda, mais adaptável ao clima
tropical. Mas a temperatura ideal para conservá-la é 23 graus C. Como em boa
parte do ano as temperaturas em São Paulo são superiores, foi preciso criar um
sistema para sua manutenção.
O
sistema de refrigeração com ar e água gelados foi desenvolvido pela World
Sports, contratada por meio de concorrência por Corinthians e pela Construtora
Odebrecht para implantar o gramado – a empresa é responsável pelos gramados da
Arena do Grêmio, do Pacaembu e da Vila Belmiro, entre outros. É inédito no
mundo, de acordo com os empresários, e vai possibilitar maior oxigenação entre
as raízes da grama, que receberá ventilação fria.
“A temperatura ideal
para a Ryegrass é de 23 graus C. Passou disso, teremos de acionar o sistema de
insuflamento de ar gelado para que a grama fique nos 23 graus”, explicou Márcio
Prado Wermelinger, engenheiro responsável pela produção da Odebrecht. Ao ser
colocado em funcionamento, o sistema leva água e ar resfriados até as raízes da
grama, por meio de canos de diferentes espessuras.
Abaixo dos 14 graus C,
porém, a grama precisaria ser aquecida. “Mas em função do clima de São Paulo,
não vamos ter sistema de aquecimento”, diz Prado. O sistema de irrigação será
automatizado e serão colocados 48 aspersores (a Fifa pede de 24 a 30), com
acionamento individual. Assim, será possível irrigar partes diferentes do
gramado, de acordo com as necessidades. Por exemplo: em certas épocas do ano, a
irrigação em determinadas áreas do gramado não é necessária, por causa do
sombreamento. Mas as áreas que continuam expostas ao sol precisam receber
água.
“A concepção do projeto foi marcada pela premissa de fazer o melhor
gramado do mundo”, disse Claudio Godoy, coordenador de projetos da World Sports,
que tem uma empresa irlandesa e outra belga como parceiros.
ETAPAS
O
gramado da Arena Corinthians vai ser construído em três etapas. A primeira é a
escavação do terreno, que será rebaixado em 70 centímetros. Essa fase levará de
20 a 30 dias. Em seguida, será feita a implantação dos sistemas, como o de
drenagem a vácuo – na arena também haverá a opção de drenagem por gravidade –,
irrigação, colocação de brita (15 milímetros de espessura) e areia, nivelamento
e plantio do gramado (por semeadura), entre outros serviços. Essa fase levará
cerca de 60 dias.
No início de junho, no máximo, o gramado estará pronto,
mais ainda não para uso. Será preciso um período de maturação pós-plantio de
cerca de 90 dias, onde haverá poda, irrigação, adubação, controle de pragas e
doenças, entre outros trabalhos. Então, durante o mês de setembro, três meses
antes da data marcada para a entrega do estádio, a bola poderá rolar no gramado
da Arena Corinthians. Mas não vai. E nem mesmo materiais que continuarão a ser
utilizados na construção do estádio, que ainda estará em obras, poderão ser
transportados pelo campo. “O mau uso compromete o gramado, impede o seu
desenvolvimento e conservação”, diz Godoy.
Ele cita o caso da Arena do
Grêmio, que teve o gramado utilizado antes do fim do período de maturação – não
só para Jogo contra a Pobreza lá realizado, mas também por conta do show de
inauguração em dezembro passado –, como exemplo de mau uso que danifica a
grama.
Clube, construtora e empresa contratada não revelam o valor da
implantação do gramado.
Fonte: Estadão
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